sábado, 25 de outubro de 2008

SBT ADERE BI

Os cerca de 80 gestores do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), segunda maior emissora de TV do país, com 5 mil funcionários e 105 emissoras filiadas que cobrem 95% do território nacional, estavam acostumados a usar planilhas eletrônicas, mas cada qual a sua maneira e com seus números. Para garantir o acesso a informações atualizadas e consistentes, a equipe de TI da emissora sugeriu uma solução de Business Intelligence (BI), no final de 2005. Mas o que se viu foi uma resistência forte ao projeto por parte dos diretores e analistas do departamento comercial. Nada tinha a ver com tecnologia, mas com uma insegurança para enfrentar mudanças na forma de trabalho. "Esses funcionários passavam dias inteiros inserindo dados nas planilhas e faziam de duas a três horas extras em período de balanço para conseguir dar conta do recado. Quando dissemos que o trabalho seria feito online, sem necessidade de digitar os números, muitos ficaram com medo de perder a função", diz Nelson Carpinelli, gerente de TI do SBT.



Para integrar os gestores no conceito de BI, a equipe de TI criou um programa de gestão de mudança, com treinamento e palestras sobre as vantagens que o comprometimento deles com o projeto trariam. "Por duas semanas, fizemos com que os usuários mais resistentes comprassem o projeto, pois eles entenderam que seu papel seria mais estratégico para a companhia", afirma Carpinelli. Outra barreira encontrada na fase inicial do projeto foi perceber que ainda havia desconfiança em relação ao conceito de BI, devido a uma tentativa anterior de implementação, também na área comercial, mas que não tinha dado certo. Segundo Carpinelli, faltou na época um patrocinador forte para a iniciativa, e o projeto envolvia o uso de uma ferramenta específica, em vez do conhecido Excel. Desta vez, a solução para centralizar as informações de apoio às decisões de negócio seria implementada com uma modificação de banco de dados, mas não de interface, que continuou a ser a do pacote Office, da Microsoft. "Os diretores não queriam abrir mão das planilhas eletrônicas. Mas conseguimos provar que o BI resultaria num modelo integrado das bases de informação, o que é mais confiável", diz Carpinelli. Na sua opinião, ter adotado o framework de BI da Microsoft foi um dos pontos fortes do projeto, pois tornou o uso do sistema mais simples para o usuário final. Outra vantagem foi a economia, já que não houve a necessidade de comprar software. Os custos ficaram restritos à implementação. "Não tivemos gastos com ferramentas, só com consultoria. Se fosse uma solução de mercado, teríamos gasto 70% mais", diz Carpinelli.




Data mart: Internamente, a equipe de TI do SBT, formada por 12 profissionais, desenvolveu uma arquitetura de data marts incrementais em vez de um data warehouse tradicional. "Era preciso gerar confiança nos números do sistema. Então, implantamos pequenos BIs, gerando um grande banco de dados com informações úteis", diz Carpinelli. A emissora do Grupo Silvio Santos contratou a consultoria Pro IT para implantar o portal comercial, baseado no conceito de Business Intelligence. O projeto, dividido em dois módulos, foi denominado Síndrome de BI. Na primeira etapa, o Sistema Gerencial de Vendas levou dois meses para entrar em funcionamento. Com ele os diretores conseguem acompanhar as vendas de espaço de mídia e de patrocínios, comparando-as com as metas de resultados estabelecidas pela organização. Por sua vez, o Sistema de Informações de Mercado, que levou quatro meses para começar a operar, permite que os dados internos sejam comparados com várias fontes de mercado. Segundo Carpinelli, essa ferramenta trouxe agilidade à distribuição de informações importantes para o negócio. "A tomada de decisões estratégicas ficou mais rápida. Antes, era preciso enviar um e-mail para cada gestor, esperar a resposta e aí sim tomar as decisões. Hoje, como a ferramenta é online, todos os diretores e gerentes têm acesso aos dados em tempo real e de uma só vez", afirma Carpinelli.
A segurança também foi levada em consideração pelo SBT na hora de aderir ao BI. Muitas das informações comerciais que circulam nas planilhas são confidenciais. Quando os números eram trabalhados de forma descentralizada não era possível assegurar o sigilo. Agora, os 80 gestores da empresa que utilizam o BI precisam digitar senhas para entrar no portal comercial. "No fundo, o BI gerou um redesenho dos processos de decisão", afirma Carpinelli.




INFRA-ESTRUTURA DE TI
SERVIDORES: 150 máquinas
SISTEMA OPERACIONAL: Windows
ERP: Oracle
BANCO DE DADOS: Oracle e SQL Server
EQUIPE DE TI: 12 profissionais
USUÁRIOS DO BI: 80 pessoas

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